segunda-feira, 18 de maio de 2015

Corte no Orçamento coloca Levy e Mercadante em rota de colisão




A reunião deste domingo (17), no Palácio do Alvorada, na qual a presidente Dilma Rousseff debateu com ministros cortes no Orçamento de 2015 evidenciou o embate entre o titular da Fazenda, Joaquim Levy, e o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, em torno do tamanho da tesourada. Neste duelo, o comandante da economia se esforça para ampliar ao máximo o corte, enquanto que o ministro da área política tenta reduzir o contingenciamento.

Inicialmente, Levy defendia um corte de R$ 80 bilhões, e Mercadante, R$ 60 bilhões. Diante das pressões, o ministro já admite reduzir a envergadura do corte, porém, afirma que o governo terá de cortar, no mínimo, R$ 70 bilhões.

O argumento de Joaquim Levy para defender um corte elevado é de que, provavelmente, o Congresso Nacional irá alterar as medidas de ajuste fiscal enviadas pelo Executivo ao parlamento para tentar reequilibrar as contas da União. Neste cenário, ressalta o ministro da Fazenda, recomenda-se um aprofundamento do corte de despesas. 

Por outro lado, ministros da área política e líderes governistas querem que, em vez de apertar ainda mais o ajuste fiscal, Levy apresente medidas para animar a economia brasileira sem depender explusivamente de cortes no Orçamento.

Os ministros políticos com assento no Palácio do Planalto têm uma preocupação adicional com a queda na arrecadação do governo federal. A diminuição das receitas, avaliam ministros palacianos, retrata uma desaceleração ainda maior da economia e pode sinalizar que a situação econômica pode piorar ainda mais. 

Com isso, Levy fica ainda mais exposto. Ele tem buscado outras alternativas, como o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos de 15% para 17%. Além disso, o PT quer incluir no pacote de medidas para reaquecer a economia o aumento do imposto sobre as heranças. Os petistas querem transformar essa proposta em uma das bandeiras do partido.

Na manhã desta segunda (18), Dilma chamou ministros da ala política e líderes governistas da Câmara e do Senado ao Palácio do Planalto para voltar a debater o tamanho dos cortes no Orçamento. Os parlamentares levaram à chefe do Executivo a preocupação do Legislativo com a situação da economia.

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