No caminho para o Centro, eles interditaram vias e a descida da Ponte.
Projetos do Comperj serão retomados quando a empresa gerar caixa.
Trabalhadores do Comperj e políticos da Região Metropolitana do Rio
chegaram, no início da tarde desta segunda-feira (24), à sede da
Petrobras, no Centro da capital. Eles participam de ato pedindo para a
empresa a conclusão de refinarias do complexo.
A obra está atrasada, em Itaboraí,
na Região Metropolitana do Rio, e os municípios vizinhos sofrem com
desemprego e perda de receitas. Antes de chegar ao local, o grupo
interrompeu o tráfego em vias importantes, como a Avenida Rio Branco, no
Centro.
No início da tarde, o grupo bloqueou alça de acesso da Ponte
Rio-Niterói para a pista Central da Avenida Brasil. Eles chegaram a
atear fogo em lixo na Avenida Brasil para interditar o trânsito e
caminhavam para o 'Ato Juntos pelo Comperj - Refinaria já !' organizado
pelo Consórcio Intermunicipal do Leste Fluminense (Conleste), que vai
acontecer no Centro do Rio no início da tarde.
O objetivo do ato é pressionar a Petrobras
para terminar pelo menos uma das duas refinarias previstas para o
Comperj. A refinaria já está com 82% das obras concluídas, mas a empresa
descartou a conclusão do Comperj em seu plano de negócios recentemente
anunciado, e disse que a refinaria 1 (Trem 1) só será concluída caso
surja um parceiro interessado. A paralisação das obras do Comperj também
afeta fortemente a economia da região. O Conleste é presidido por Heil
Cardozo, prefeito de Itaboraí, umas das cidades mais prejudicadas. Lá, a
perda da arrecadação é da ordem de 50%.
Quarenta e nove empresas foram contratadas para a construção do
Comperj, que deveria estar pronto desde 2011 e deveria ter duas
refinarias, uma unidade de gás natural e uma estação petroquímica, mas a
imensa área de 45 quilometros quadrados vai ter apenas uma refinaria.
Segundo o Ministério Público do Trabalho, o atraso de mais de três anos
nas obras prejudicou mais de quatro mil trabalhadores. De 2008 até
agora, o orçamento da obra aumentou quase quatro vezes e, segundo a
petrobras, o motivo dessa disparada foram mudanças no projeto,
reajustes, variação cambial e aditivos, mas a operação Lava-Jato revelou
que uma parcela dos recursos foi desviada dos contratos.
De acordo com o último balanço, a empresa perdeu mais de R$ 44 bilhões
no valor de seus investimentos e, só com o Comperj, o prejuízo foi de R$
21,833 bilhões. O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, disse que
os projetos do Comperj foram hibernados e só vão ser retomados quando a
empresa tiver capacidade de gerar caixa, o que ainda não tem praz.
Ato em defesa do Comperj começou a ficar cheio por volta das 12h50 (Foto: Matheus Rodrigues/G1 Rio)
Manifestantes que pedem conclusão de obras do Comperj bloqueiam a Avenida Rio Branco (Foto: Matheus Rodrigues/G1)
Manifestantes atearam fogo em lixo (Foto: Ronaldo Moreno / Sindipetro-RJ)
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